A PANDEMIA E A GESTÃO DAS ORGANIZAÇÕES RELIGIOSAS

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Os impactos da pandemia nas Organizações Religiosas estão sendo muito fortes, principalmente no que diz respeito a gestão dos recursos e ao planejamento a curto prazo. As Organizações Religiosas possuem no geral altas despesas fixas, tais como alimentação, saúde dos seus membros e gastos com a manutenção do seu patrimônio.

Com a pandemia veio o impedimento das atividades normais das Organizações Religiosas, fazendo com que a captação de recursos fosse drasticamente afetada, caindo, em alguns casos, a níveis inferiores a 30%.

Verifica-se que as Organizações Religiosas que possuíam antes da pandemia plataformas de captação de recursos e companhas de doação on-line, sentiram menos os impactos. Já aquelas que tinham deficiência na gestão, neste caso nas áreas de tecnologia e informação, sentiram mais dificuldades e pagaram um preço alto para implantar rapidamente a tecnologia necessária. Gastaram alto em capacitação, equipamentos e sistemas de informática e ainda tiveram que enfrentar a dificuldade de não possuir uma cultura interna sobre essas plataformas.

Por isso, pode-se dizer que a pandemia, além de trazer novos desafios, também deixou evidentes as falhas na gestão, que muitas vezes já existiam dentro das organizações religiosas, principalmente nas áreas de:
- Gestão Financeira;
- Gestão Contábil;
- Gestão Patrimonial;
- Gestão de Pessoas;
- Gestão de Contratos;
- Gestão de Investimentos;
- Gestão da Tecnologia e Informação.
 
Para analisar os impactos da pandemia é preciso ter em conta que as Organizações Religiosas apresentam características peculiares quanto a sua institucionalização no âmbito social, político e cultural nas comunidades em que se fazem presentes, organizadas através do trabalho voluntário, solidariedade e crenças dogmáticas. Para compreender a estrutura organizacional e suas características, a gestão deve levar em consideração todas as áreas de atuação.
 
O impacto da questão financeira, que não chega a surpreender, despontou como o maior desafio enfrentado pelas Organizações Religiosas neste momento, seguido da atração e retenção de colaboradores e voluntários, da mobilização de recursos e da satisfação dos beneficiários.

Um outro grande impacto da pandemia nas Organizações Religiosas é com o cumprimento dos compromissos perante os seus assistidos. A pandemia provocou a suspensão e até interrupção do atendimento aos necessitados, tirando-lhes, em muitos casos, a única rede de assistência e apoio com a qual podiam contar, aumentando assim, a possibilidade de passarem fome e de sofrerem impactos na sua saúde mental. Portanto, com a pandemia, aumentou também a preocupação com a segurança e proteção de seus beneficiários, na medida em que muitos estão submetidos a abusos dos mais diversos tipos, como exploração e violência doméstica.

Infelizmente, tudo indica que o cenário de pandemia continuará se espalhando por todo o país. Enquanto isso, as Organizações Religiosas seguem buscando alternativas para não deixarem seus assistidos sem atendimento. Por isso, mais do que nunca, precisam do apoio de toda a sociedade e de uma gestão profissional para tentar minimizar os impactos negativos da pandemia.

A gestão profissional, em especial, é de extrema importância, não só para auxiliar na busca de soluções que venham a contribuir financeiramente, como para a elaboração de um planejamento com análise de cenários e readequação dos objetivos.

Atualmente, muitas Organizações Religiosas estão preocupadas apenas em passar pela crise. Porém, passar pela crise, não significa apenas cortar custos e despesas, muito pelo contrário, alguns custos e até o incremento deles, podem ser essenciais para a sobrevivência da Organização Religiosa e de seus membros.
 
E para o futuro, qual o plano?

Para o futuro, os impactos mais significativos vislumbrados pelas Organizações Religiosas pós-pandemia são, principalmente, a mobilização e a gestão de recursos, a atração e retenção de colaboradores e voluntários. Pois, caso não organizem sua gestão, em outros momentos voltará à tona toda a ineficiência organizacional colocando novamente em risco a administração dos recursos.
 
Os tempos de incertezas e turbulências são complexos, os impactos da pandemia atingiram tanto os menores quanto os maiores e melhores, ninguém está garantido. Nota-se, porém, que as Organizações Religiosas que tinham uma boa gestão, estão sofrendo menos os impactos.

Por outro lado, a pandemia também pode ser oportunidade e a crise pode ser uma chance para melhorias. Na prática, a Covid-19 acelerou as transformações digitais e humanas que já estão ocorrendo há algum tempo, especialmente o conceito de peoplecentric, literalmente, “as pessoas no centro”, isso vale tanto para o membro religioso, quanto para os colaboradores e voluntários das Organizações Religiosas.

Portanto, a pandemia mostra que é hora de mudar a gestão das Organizações Religiosas de uma maneira profissional, não só para a sustentabilidade das organizações durante a pandemia, como também, e principalmente, pós-pandemia, pois além da perda de recursos financeiros, a pandemia também levou muitos membros religiosos, fragilizando ainda mais a gestão. 

Além disso, é evidente que as Organizações Religiosas serão ainda mais demandadas pós pandemia. Os indicadores sociais sofreram impactos drásticos pois com a ausência das atividades das Organizações Religiosas, as demandas das comunidades assistidas ficaram ainda maiores. 

A pandemia deixou claro que as causas de sucessos no futuro são totalmente diferentes das causas de sucessos do passado. Muita coisa mudou e causas de vitórias no passado, poderão ser causas de derrotas no futuro. Em razão disso, é imperioso que as Organizações Religiosas busquem, urgentemente, novos e eficientes modelos de gestão e de sustentabilidade.

Fernando Luis Mazur
Contador Especialista em Organizações Religiosas
f.mazur@filantropica.com.br 

 
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