ANTROPOLOGIA DO ENVELHECIMENTO I PARTE : A TERCEIRA IDADE À LUZ DA FÉ. MISSÃO E DESAFIOS DOS RELIGIOSOS DA TERCEIRA IDADE.

Artigo 027

Curso Promovido pela CRB de Curitiba dias 05 e 06 de fevereiro de 2014 – Antropologia do Envelhecimento: a terceira idade à luz da fé. Missão e desafios dos religiosos da terceira idade.  Assessora: Doutoranda Sônia Sirtoli Färber  (Teóloga e Tanatologia). Anotações de: Ir.Maria Clara M. Freitas -Curitiba , 07 de fevereiro de 2014



“A morte é um assunto que interessa a todos”.  (Karl Ranner).    O Termos Paróquia em sentido original significa: “O lugar de quem não está em casa”. O lugar em que os peregrinos que estão a caminho param para se alimentar, conversar e seguir jornada. Em grego, paroquiano é sinônimo de peregrino, de forasteiro, de itinerante. Estou aqui, mas não sei por quanto tempo estarei. Todas as paróquias do mundo são a minha paróquia. Onde estou é minha Paróquia.  A consciência da transitoriedade de nossa vida na terra nos ajuda a viver o hoje sem lamentar o que passou nem sofrer pelo que ainda não chegou.

 O Povo de Deus a caminho é uma constante em toda a Sagrada Escritura:

1. Jesus é Peregrino = paroquiano. “Tu és o único peregrino em Jerusalém que não sabe o que aconteceu nos últimos dias”? (Lucas 24,18);

2. Abraão é Paroquiano. “Foi pela fé que residiu como estrangeiro na terra prometida, morando em tendas com Isaac e Jacó, os herdeiros da promessa (Hb 11,2)

3. Moisés é Paroquiano. “Moisés fugiu e foi viver como forasteiro na terra de Madiã”. (Atos 7,29)

4. “O Deus deste povo, o Deus de Israel, escolheu nossos pais e exaltou o povo em seu exílio na terra do Egito”. (At 13,17)

5. “E se chamais Pai aquele que com imparcialidade julga a cada um de acordo com suas obras, portai-vos com temor durante o tempo do vosso exílio”. (1Pd 1,17)

6. “E falou-lhe Deus, que a sua descendência seria peregrina em terra estrangeira”. (At 7,6)

7. “Já não sois estrangeiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus”. (Ef 2,19)

8. “Amados, exorto-vos como a peregrinos e forasteiros neste mundo”.

Os Consagrados são testemunhas da Escatologia, do lugar para onde caminhamos. Temos medo da morte física, porque o corpo sem vida nos diz: “eu sou você amanhã”.  O que é pó retorna ao pó. Porém somos uma alma que possui um corpo e não o contrário. Como peregrinos e forasteiros devemos dedicar tempo para nos fortalecer na intimidade e conhecimento de Deus que acreditamos e professamos. Nossa cidade é o céu. “Peregrinos nós somos aqui, construindo morada no céu”... diz um canto de Exéquias. “Não temos aqui cidade permanente.” Não devemos nos prender a nenhuns laços, sejam eles quais foram. Apego é patologia. 

Morremos muitas vezes antes da morte física temida por muitos.  Um bebê em gestação “Em breve abandonará esta vida e fará a experiência do nascimento”. Todos nós já morremos pelo menos uma vez, ao nascer. Se o bebê não “tomara iniciativa” será expulso do útero da mãe. E basta nos olhar no espelho para ver quantas mortes celulares já tivermos na transformação do nosso corpo de bebê, criança, jovem, adulto... Também nós seremos “expulsos” do ventre da terra. Jesus foi na frente, preparar-nos um lugar. A criação inteira sofre como em dores de parto à espera da luz. “Tudo o que vive morre”. O que nos distingue dos outros seres vivos é o fato de podermos refletir  sobre a morte. “Para mim, morrer é lucro”, diz São Paulo. 

Só o essencial é essencial. Devemos amadurecer apreciar o lado bom de tudo, reconhecer e agradecer, livres, desapropriados, desapegados. Nossa vocação é caminhar. Devemos resignificar com visão positiva todas as perdas com a paciência da lagarta que no tempo “maduro” transforma-se em borboleta. É um processo individual e de respeito mútuo. É muito importante “fechar” histórias. Deixar o passado no passado.  Desapegar-se. Finalizar, abrir espaço para o novo. Terminar o crochê ou o bordado começado.  Desapegar-se das coisas que não utilizamos mais, sejam roupas, calçados, livros, potes, restos de linha... Valorize os rituais de passagem. Celebre um ritual para desapegar-se da infância, da adolescência, da juventude, de cada trabalho que foi encerrado.  Se uma fase ficar mal resolvida, acumula-se a outras e faz mal à saúde.  Não faça de conta que está tudo bem, se não está. Peça ajuda com humildade. “Olhe nos olhos da morte”, encare a sua verdade, se necessário, chore. Chorar é saudável.  Só a verdade liberta. Viva a sua verdade para fechar cada história. O melhor lugar para apresentar a nossa verdade é a oração. Desapegue-se e “Não fique sempre repetindo suas queixas”.  “Leve com você o que combina e cabe na sua nova etapa de vida, o que sobrar, venda, ou melhor, ainda, doe”.    A Primeira Carta aos Coríntios é uma enciclopédia de temas variados. A segunda é um tratado de Espiritualidade: “...”.

É por isso que não perdemos a coragem. Embora o nosso corpo física vá se arruinando, o nosso Espírito vai se renovando a cada dia.  (Iicor 4,16)

Quanto mais frágil nosso corpo, mais forte o nosso Espírito. Se não veja, nem ouço, nem ando como antes, o desafio é rejuvenescer por dentro.

“Nós sabemos que quando a nossa tenda for desfeita, receberemos de Deus uma morada eterna”. (II Cor 5,1-10)

 
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