Na palma da mão de Deus

Artigo 036
                            
                                                                                   

Estamos a meses trilhando caminhos inóspitos e trilhas desconhecidas. A pandemia nos encontrou com “pouco óleo em nossas lamparinas”. Está sendo um verdadeiro tempo de deserto, lugar de provação e de purificação. Na bagagem carregamos mais perguntas do que respostas. Temos dificuldades para lidar com o imprevisto, com novas situações que nos desafiam. Carregamos incertezas que colocam em cheque nosso ato de crer e esperar.  Deparamo-nos com a finitude humana. Cenas das imensas valas comuns e dos sepultamentos coletivos das vitimas do corona vírus abalam nosso imaginário cultural e religioso e desafiam nossa fé. Nosso coração se inquieta. O que pensar do futuro da humanidade? O Papa Francisco no adverte afirmando: “ o mundo está doente”. E lança um forte questionamento: “Onde está a dignidade humana”? (Carta Encíclica do Papa Francisco Fratelli Tutti).  Neste contexto o que dizer do  futuro missionário da Vida Religiosa Consagrada?  

O Concilio Vaticano II nos convida a interpretar os “sinais dos tempos” que emergem na história. Como discípulos/as de Jesus Cristo somos chamados a dar as razões de nossa esperança (1Pd 3,15). Viver o tempo presente como “ocasião favorável” para anunciar os valores do Reino de Deus, especialmente a compaixão diante das feridas de milhões de seres humanos, a empatia e a solidariedade com a imensidão de excluídos. É fundamental manter viva a confiança de que o Ressuscitado caminha conosco nas estradas de Emaus, hoje. Assim poderemos “manter aquecidos” nossos corações na escuta atenta da Palavra; e manter os “olhos abertos” na partilha do Pão da Vida. Aquecidos e de olhos abertos poderemos percorrer caminhos novos, desconhecidos e nas “sombras de um mundo fechado”( Carta Encíclica do Papa Francisco, Fratelli Tutti).

Tempos difíceis, momentos de graça. O teólogo alemão Dietrich Bonhoeffer testemunhou a fé cristã no combate às atrocidades de Hitler, durante a segunda guerra mundial. Prisioneiro no campo de concentração, junto de seu povo, acabou morrendo na câmera de gás. É dele a prece, intitulada “oração da manhã”. Vamos deixar que ecoe em nós esta certeza que nossa vida está “na palma da mão de Deus”.

Há escuridão em mim; 
Em Ti, ao invés, há luz.
Estou só, mas Tu não me abandonas.
Não tenho coragem, mas Tu és meu auxilio;
Estou inquieto, mas em Ti está a paz;
Há amargura em mim, em Ti paciência;

Não entendo os Teus caminhos, mas Tu sabes qual é minha estrada.
Tu conheces toda a infelicidade dos seres humanos:
Tu ficas ao meu lado,
Quando nenhum ser humano permanece ao meu lado,
Tu não me esqueces e me procuras,
Tu queres que eu Te reconheça
E me dirija a Ti.
Senhor, ouço o Teu apelo e o sigo,
Ajuda-me.
Senhor, aconteça o que acontecer neste dia,
O Teu nome seja louvado.
Amém.

Que não falte em nossas vidas o óleo da confiança de que Deus é fiel. Aconteça o que acontecer, Ele está sempre ao nosso lado. De fato, nossa vida “está na palma da mão de Deus”, como sabiamente repetia o Cardeal Dom Serafim de Araujo ( in memoriam), Arcebispo Emérito de Belo Horizonte, MG. Sejamos todos testemunhas da fidelidade de Deus. A realidade do mundo atual espera que a Vida Religiosa Consagrada dê testemunho de que Deus é fiel. 

Pe. Angelo Avelino Perin, ms

 
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