Os impactos diretos da onipresente tecnologia em nossas vidas

Artigo 011
Desde a década de 70, o mundo vem passando por uma substancial mudança no campo da tecnologia e das ciências como um todo. Ambas estão interligadas e formam parte da vida das pessoas em escala crescente e cada vez mais exigente. A chamada Terceira Revolução Industrial com a cibernética tem influenciado diretamente a população e determinado um novo ritmo de vida para as novas gerações. Estamos na era digital, na era da conectividade, da informação rápida, do mundo das redes sociais que aproximam as pessoas e favorecem as relações interpessoais quebrando o fator distância e tempo. 

Mas também, estamos na era da cultura líquida e nem sempre as facilidades da web estão em sintonia com a felicidade e o bem estar do homem. Muitos são os problemas que este mundo tem atraído, como esvaziamento da pessoa, isolamento social, empobrecimento nos relacionamentos, descompromisso, proliferação de uma cultura de morte através de ideologias ligadas ao mercado de consumo.

Nem todas as pessoas conseguem acompanhar essa rápida evolução, pois ainda vivemos numa sociedade que não favorece o acesso destes meios a um considerado número de pessoas. Estes que não conseguem entrar neste campo de batalha ficarão cada vez mais excluídos e ignorados pelas modernas tecnologias. Infelizmente o capitalismo privilegia os que mais conseguem investir neste setor e os que mais têm acesso a eles, deixando de fora quem não pode pagar por este mercado.

As tecnologias fazem parte de nossa vida e facilitam nossa relação com o mundo: pessoas e negócios. Temos acesso a tudo e a todos em qualquer lugar desde o computador, tablets, celulares. Encontramos o que precisamos e somos encontrados, temos nossa vida rastreada e em muitos aspectos perdemos nossa individualidade. A facilidade traz também exposição, acaba com o anonimato e insere a pessoa num contexto no qual ela não está preparada. Por isso, vemos muitos problemas de ordem psicológica e afetiva que desequilibra a estrutura da pessoa levando-a muitas vezes ao aprisionamento e consequente fracasso social.

As modernas tecnologias questionam nossa maneira de ser e determinam nossa conduta na sociedade. A cultura digital avança rapidamente e cria um mundo com novas formas de se relacionar e de pensar. A cada dia surgem novas tecnologias que influenciam e determinam a conduta da humanidade. Hoje muitas pessoas estabelecem vínculos de casamento a partir das redes sociais, empresas têm usado as redes para boa parte de sua publicidade, as grandes manifestações políticas são organizadas neste ambiente, tudo está interligado com a finalidade de favorecer a comunicação. 

Não se vive sem a internet! Ela tornou-se parte de nossas vidas positiva e negativamente. Positiva porque cria um mundo de proximidade e facilidades, negativa porque leva muitas pessoas ao vício e a patologias diversas causadas pelo mau uso desta ferramenta. 

Na web temos material disponível de todo tipo que pode ser usado para o crescimento enquanto formação ou para a ruína. Infelizmente, no campo da educação, os alunos não sabem mais escrever e produzir textos de qualidade, pois a facilidade da cópia permite montar textos como uma “colcha de retalhos” e isto faz com que o processo de discussão e aprendizado fique reduzido. Consequentemente, vem o empobrecimento da língua. Sem leitura temos péssimos escritores e péssimos pensadores. 

No campo da tecnologia móvel, os celulares estão presentes e podem ser elementos que edificam, pois o acesso é ilimitado ou que ameaçam tornando as pessoas individualistas e isoladas. É comum vermos em todos os estabelecimentos pessoas com celular falando ou teclando. Em bares e restaurantes, em família, todos estão conectados com a ferramenta, mas não convivem entre si.

Podemos dizer que as tecnologias modernas tendem a avançar, são irreversíveis; cabe a nós buscarmos os meios adequados para utilizá-las sem perder nossa essência e os objetivos da vida. Elas podem ser aliadas na formação da consciência ou podem ser armas poderosas que destroem nosso potencial vital. Por isso, é preciso cada vez mais investir numa formação ética sobre o manuseio destas estruturas para que a integridade da pessoa seja preservada e as tecnologias realmente estejam a serviço do bem comum promovendo afetos, novas descobertas, solidariedade entre os povos, construção da paz.

Todos somos geradores de informação, sem censuras e limitações. Somos multiplicadores de coisas, nossas e dos outros através da web. Somos exigentes com o que vemos e lemos e com isto, vivemos acelerados, ansiosos e presos a estas tecnologias. O grande risco disso tudo, é deixar as oportunidades reais passar sem que sejam usufruídas. O mundo virtual é uma realidade intrínseca em nossas vidas, mas ele não pode substituir o que somos e fazemos. As necessidades básicas do cotidiano não podem ser sanadas com a internet e nem com as redes sociais. Apesar da colaboração que estes meios nos proporcionam, eles não substituem o comer, o andar, o falar, o sentir, o ver, o vestir, o tocar, o aperto de mão, o abraço fraterno, a companhia dos amigos, etc. 

Podemos ser mais como pessoas, se soubermos separar o online do real. A violenta onda tecnológica que entra em nossas vidas já é uma antecipação do futuro, porém, não podemos ignorar este processo e tampouco fugir dele. O essencial é buscar com sabedoria a maneira certa de nos relacionarmos com estes meios sem perdermos o que somos. 

Neste contexto, entra a Vida Religiosa Consagrada. Entramos todos nós. É importante que esta reflexão se estenda em nossas comunidades e nos leve a repensar algumas atitudes que estão diretamente afetadas pelos novos meios de comunicação. Como nos relacionamos com as mídias digitais, com as redes sociais? Com que intenção a utilizamos? Como expliquei antes, esses instrumentos fazem parte da nossa vida e como utilizá-los depende de uma consciência bem formada e de um planejamento pessoal e comunitário para que o Evangelho seja anunciado por todos os meios possíveis.

Pe. Nilton Cesar Boni cmf
Formador do Teologado Claretiano – Curitiba/PR


 
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