TEMPO DE RESSIGNIFICAR O TEMPO

Artigo 012

Em alguns meses atrás vivíamos num mundo frenético, onde convivíamos com todos de fora das nossas comunidades e tão pouco ou nada com os de dentro e mais ainda, parece que não convivíamos conosco mesmo, onde o fazer, fazer, sempre estava em primeiro lugar. Uma luta constante para viver o ser da nossa própria existência, o Ser consagrado. Vivíamos num tempo onde não tínhamos mais tempo para fazer o que era mais significativo, isto é, de exercitar os nossos dons e habilidades, onde nossas agendas estavam completas; nossos sonos atrasados, guarda-roupas desorganizados, roupas descosturadas, trabalhos manuais começados e não terminados e jardins e hortas somente no planejamento. Do dia para noite, parece que houve um apagão, fecharam- se as portas e portões das nossas casas. Nas relações com os de fora não têm mais o abraço caloroso e afetivo e até no início desta pandemia, surgiram muitas piadas pelas redes sociais com os idosos. Depois de um estado de pânico com todos, agora parece que começam a surgir pessoas querendo que tudo acabe para sair correndo das casas. Momento em que somos convidados a colocar a máscara em defesa da vida, por termos amor a cada ser humano e, com isso, não enxergamos mais os rostos das pessoas.

Fico a pensar....... tempo confuso, antes as pessoas reclamavam que não tinham tempo, agora reclamam que não sabem o que fazer com esse tempo; reclamavam que não gostavam das caras amarradas, agora nem mais enxergam a face do outro. Mesmo assim, continuam os lamentos e vitimismos. O que será que nos falta? Onde realmente está a dificuldade? Se não nos encontramos na agitação e nem no silêncio, onde podemos nos encontrar?

Parece que estamos vivendo mundialmente um tempo novo, mas será que estamos aproveitando interiormente este tempo novo? Como está a minha relação com Deus? Quantos livros espirituais li neste tempo? Para quantas pessoas eu telefonei para dar uma palavra de ânimo? Quanto organizei o meu ambiente interior e exterior? Quanto estou aproveitando este tempo para reinventar e para amar mais a vida e as pessoas e não as coisas? O quanto estou vivendo e não sobrevivendo na minha comunidade? 

Tempo de colocar o que tenho de mais precioso dentro do meu ser, os dons que Deus me concedeu a serviço do outro. Tempo de curtir o outono! Tempo de servir mais a minha comunidade. Tempo de preparar uma simples flor na mesa de um jantar especial para a comunidade. Tempo de estar mais aos pés D’Aquele que optamos doar a nossa vida. Tempo de entender as nossas próprias mazelas. Tempo de utilizar os meios de comunicação para transmitir esperança, confiança, fé e muito amor para com toda a humanidade. Tempo de gratidão por termos tempo para viver a vida e curtir o que é mais precioso para nós. Enfim..... tempo de sair do meu ser e ir ao encontro do outro; numa palavra, tempo de viver o tempo...

Acabamos de celebrar a festa de Pentecostes e estamos repletos do Espirito Santo!! Então, vamos continuar com coragem de viver no silêncio interior com a Trindade Santa! Vamos buscar o afeto, o carinho e o amor em Cristo e sair correndo como a Samaritana para anunciar o amor incomparável do Verbo Encarnado. Se realmente nos deixamos ser imbuídas por esse amor, é impossível não ressignificar a nossa vida, neste momento, privilegiado na nossa história. Momento de gratidão a Deus pelo dom da nossa vida e por tantas vidas doadas.

Irmã Renata Vetroni Barros 
(Congregação das Irmãs do Sagrado Coração do Verbo Encarnado)

 
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