6ª Semana Social Brasileira: caminhos de uma “Igreja em Saída”

Jardel Lopes 
Membro da Coordenação Nacional da 6ªSSB, 
Coordenador Nacional da Pastoral Operária, 
Coordenador Regional da Articulação das Pastorais Sociais do PR

A Igreja no Brasil desde o inicio da década de 90, vive as experiências da Semana Social. Inspirada na Igreja da Europa, como França, Itália, Alemanha. Todavia, aqui no Brasil tem sua peculiaridade metodológica. As 5 edições da SSB, que completa 30 anos em 2021, surgiu como reflexo da celebração do centenário da Rerum Novarum, e continuidade da Campanha da Fraternidade de 1991, sobre o mundo do trabalho. 

O contexto era de implantação de políticas neoliberais no Brasil, arrefecimento da igreja para as questões sociais, perseguição a movimentos populares. O mundo do trabalho passava por mudanças provocadas pelas novas tecnologias, e consequentemente o desemprego. Portanto, o tema do trabalho foi pauta recorrente na igreja na década de 90, sendo duas campanhas da Fraternidade com essa abordagem (1991 – Solidários na dignidade do trabalho; 1999 – Fraternidade e os desempregados). 

Das 5 edições da SSB, 3 foram realizadas em 10 anos (década de 90). Fruto desse processo tivemos o surgimento do Grito dos Excluídos e das Excluídas; a Rede Jubileu Sul Brasil que trabalha amplamente as questões das dívidas sociais do País; as assembleias populares, que desenvolveram já nos anos 2000 um movimento de escuta e mobilização das bases, que acumulou forças na perspectiva de um projeto popular; o engajamento no Plebiscito contra a ALCA, que mobilizou uma grande correlação de força sociais, na igreja e na sociedade que possibilitou barrar o projeto da ALCA. Foram momentos também de fortalecimento das pastorais sociais, de diálogo com os movimentos populares, de semeaduras no campo da transformação social. 

A construção da 6ª Semana Social Brasileira vem desde 2016, com longas conversas entre as pastorais Sociais, movimentos populares, consultas aos regionais da CNBB. Até que a 57ª Assembleia Geral da CNBB, em 2018, aprovou a sua convocação.  A Comissão Episcopal para Ação Sociotransformadora é responsável por articular, unindo forças sociais num diálogo em torno da proposta. O tema “Mutirão pela Vida: por Terra, Teto e Trabalho”, foi uma construção conjunta com várias organizações sociais que entende o apelo do Papa Francisco, no diálogo com os movimentos populares desde 2014, como um projeto de sociedade justa.

Este projeto está em comunhão com a Igreja do Papa Francisco, desde o início do seu pontificado, motivando os fiéis católicos a uma “Igreja em Saída”. O presidente da CNBB, Dom Valmor, diz que a SSB “oferece a cada um de nós uma oportunidade singular de exercer o amor e trabalhar para que todos tenham direito à terra, teto e trabalho”. 

Está em nossas mãos o desafio de articular forças vivas, com potencial de transformação social, a partir do impulso do Evangelho, para “consolidar os direitos humanos gerais e comuns, para ajudar a garantir uma vida digna para todos” (Fratelli Tutti, 136).  ¹


  ¹Essa reflexão terá continuidade com outros textos. 

 
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