Celebração do Dia Mundial da Vida Ccnsagrada.


No Dia 02 de fevereiro, celebramos o Dia Mundial da Vida Consagrada e nos reunimos  na Catedral Basílica de Curitiba, sob o título de Nossa Senhora da Luz. A Santa Missa foi Celebrada por Dom Amilton  Manoel da Silva, CP, Bispo Auxiliar de Curitiba e Referencial para a Vida Religiosa Consagrada, juntamente com sacerdotes de outras Congregações Religiosas. Estiveram presentes muitos Religiosos e Religiosas Consagrados(as), de diversas Congregações. 

A seguir disponibilizamos a Homília proferida por Dom Amilton. 

"Desde o pontificado de São João Paulo II, na festa da Apresentação de Jesus ao templo, celebra-se o dia mundial da Vida Religiosa Consagrada. Jesus, hoje Consagrado ao Pai, é modelo por excelência de Consagração e razão dela mesma. Hoje, celebra-se o sentido dos votos religiosos, bem como o ser e o fazer de cada Consagrado(a).

O que a festa de hoje inspira aos Religiosos(as) ? O fato de Maria e José levarem o Menino ao templo para cumprir um preceito da lei mosaica, fala em primeiro lugar para os pais que geralmente se preocupam em proporcionar educação, instrução, trabalho e boa posição social para os seus filhos, ótimo, mas isso ainda não é suficiente. Devem consagrar seus filhos ao Senhor desde o início de suas vidas, educá-los para uma vida cristã fiel e educar na fé é muito mais que ensinar práticas religiosas, parte do testemunho do pais de serem católicos praticantes que buscam viver o Evangelho. As vocações religiosas e sacerdotais nascem em lares cristãos! Dificilmente teremos vocações consagradas num outro modelo familiar, creio que a maioria dos religiosos que estão aqui podem testemunhar essa afirmação. 

Essa oferta dos pais de Jesus, também fala aos Consagrados (as). Maria e José tiveram consciência de que o Menino era um dom para a humanidade, consagrá-lo era devolvê-lo ao Senhor, para o seu serviço maior, a Salvação. Ninguém se consagra para se fechar, ou ser feliz isoladamente. A consagração religiosa implica uma abertura exclusiva para Deus, uma entrega plena, onde Aquele que veio para servir, Jesus Cristo, lembra incessantemente que a felicidade consiste em mais dar do que receber. Desafio para a Vida Religiosa Consagrada: servir e amar sem limites, fazer o bem sem se cansar. 

O Menino foi ofertado, precisava? Ele não era Cristo, o ungido do Pai, enviado para redimir a humanidade através do amor? A apresentação no templo lembra a “que” e a “quem” Jesus é consagrado.  Mais tarde Ele rezará ao Pai: “Eu me consagro por eles, para que eles e elas sejam consagrados na verdade (Jo 17,19). Consagrar significa: separar “para” e não separar “de”. Como Cristo, a vida de um Consagrado(a), cotidianamente dever ser uma oferta generosa no altar do mundo. Para: gerar vida onde ela se encontra ameaçada, para reconstruir a esperança, onde a tristeza ocupou o seu lugar, para gerar homens e mulheres novos moldados segundo o Evangelho. Nesse sentido, o Papa Francisco, tem provocado os religiosos para despertar o mundo, pois somente a alegria verdadeira de uma vida consagrada, ofertada a Deus, se difere da proposta do mundo onde prazeres momentâneos desgastam e entristecem as pessoas, levando muitos ao culto a si mesmos. Desafio para Vida Religiosa Consagrada: cada religioso(a) deve lembrar a cada instante que a sua Consagração é batismal, por isso é preciso fazer a diferença no mundo!

Maria e José deixaram Nazaré e partiram para Jerusalém, Jesus não foi Consagrado em Nazaré, mas em Jerusalém. Essa atitude interpela a Vida Religiosa Consagrada a viver em saída. A Consagração se vive e se testemunha onde o Senhor envia, através da Congregação e dos Superiores. O carisma que não se anuncia se perde no tempo, se aprisiona na ilusão dos interesses pessoais e de grupos. O carisma sempre é missionário, porque pertence à Igreja, dessa forma, o(a) religioso(a) devem viver a ascese da estrada, ouvindo os clamores do Senhor, nos mais pobres, nos abandonados, naquela realidade social, onde o fundador(a) foi tocado(a) por Deus e ali nasceu o carisma fundante. Não combina com a Vida Religiosa Consagrada a acomodação e a insensibilidade. Desafio para a Vida Religiosa Consagrada: fazer de Jerusalém um espaço onde Deus habita, do templo o coração do ser humano e das realidades da vida, um apelo onde Cristo nos pede compaixão e solidariedade.

Simeão reconhece o Menino como Luz. A manifestação de Jesus como Luz já havia se dado no Natal e na Epifania. Jesus é novamente apontado como a Luz que ilumina as nações. A Vida Religiosa Consagrada existe para testemunhar a luz, os votos, devem manter permanentemente o óleo da lâmpada, cuja chama é Cristo. Como testemunhas da luz, os consagrados (as) não devem temer os que ameaçam com a escuridão do ódio, da indiferença, dos vícios, com o relativismo da fé e com a escuridão de uma suposta verdade, até mesmo dentro da Igreja, semeando divisão e desobediência ao Sumo Pontífice. A Vida Religiosa Consagrada é luz que mantém os consagrados como sentinelas de uma sociedade nova, na Igreja, obedientes ao Papa, onde a chama da esperança deve iluminar os passos de todos. Desafio para Vida Religiosa Consagrada:  Manter acesa a chama da consagração, com os olhos fixos em Jesus a luz verdadeira, pois diz o Papa: “a tentação é ter um olhar mundano, um olhar que já não vê a graça de Deus e aí se vai à procura de qualquer substituto: um pouco de sucesso, uma consolação afetiva, um fazer aquilo que quero.”  

Maria e José estavam maravilhados com o que se dizia do Menino. Maravilhar-se: que a Vida Religiosa Consagrada jamais perca a capacidade de maravilhar-se; essa também é uma atitude profética, porque proclama a primazia de Deus. Uma vida consagrada, que se maravilha diante do que o Senhor realiza, mostra abandono em suas mãos e ocupação com aquilo que lhe agrada buscando sempre crescer para servir melhor. Desafio para a Vida Religiosa Consagrada, encantar-se para encantar o mundo, pois como lembra o Papa Francisco, “um religioso (a) desencantado (a) não atrai ninguém para Cristo e nem mesmo vocações para o seu grupo.”

Por fim, Simeão e Ana – idosos - símbolos da perseverança e da fidelidade no serviço ao Senhor. Simeão e Ana representam os religiosos (as) na terceira idade, quando o peso dos anos vividos e ás vezes, os limites da enfermidade, fazem do templo, capela ou quarto, o espaço de serviço ao Senhor, pela oração. Como Simeão e Ana estes (as) superaram as frustrações, mágoas, pessimismo, revoltas... São idosos livres e felizes, que motivam as novas gerações que chegam. Aprendamos com Simeão e Ana a envelhecer com alegria e em ação de graças.  

Parabéns a todos os Consagrados(as)! Reconheço que não é fácil ser alegre e disponível em todas as situações, mas Aquele que vos chamou, jamais vos abandonará. Caminhem com a certeza de que a vossa força vem de Deus e da oração da Igreja.  Um dia, porque vocês se fizeram discípulos (as) da verdade, ouvirão do Mestre: “Vem servo bom e fiel, entra na glória do teu Senhor”. Mais do que nunca a humanidade precisa do testemunho dos consagrados (as) para reencontrar o sentido da vida e de lutar por dias melhores, em vista da vida eterna. Deus vos abençoe!"

Desta maneira gostaríamos de agradecer pela presença de cada Consagrado(a) e que possamos com a Graça de Deus sermos fiéis a graça da vocação que recebemos por gratuidade e que da mesma maneira saibamos retribuir gratuitamente deste dom. 

 
 
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