IV Postulinter 2021


Nos dias 05 e 06 de junho de 2021, aconteceu o encontro do postulinter, com o tema: Antropologia Bíblica da Vocação, assessorado pela Ir. Salete Peters. Após a oração inicial realizada pela Ir. Rita e postulante Caudência (Irs. da Divina Providência), os demais participantes apresentaram os nomes de suas respectivas congregações. Em um primeiro momento a Ir. Salete apresentou os conceitos da palavra antropologia demonstrando que a palavra, associada ao tema trás consigo uma profundidade que perpassa os conceitos que comumente ouvimos ou que conhecemos. Em sua fala, levou os participantes a compreenderem que, Deus não é uma fantasia criada pelo homem, mas que o contato com o divino, integra a estrutura humana- que conhece e desafia o sentido da vida.

Abordou ainda o tema do mistério da existência humana, em que homem e mulher são chamados a existir e construir a vida plena em Jesus, com Jesus e por Jesus, que é a causa, o princípio e o fim último de nossa breve existência, pois, “Deus quis criar o mundo para se comunicar por meio da criação” (Hb 1-1,3), e a nós criaturas, compreendidas como seres capazes de compreender e responder ao chamado, Ele convida a proximidade, a falar-nos como um amigo, pois a história da vocação do homem se inicia com a criação do mundo.

Nesse emaranhado de perguntas que atordoam os pensamentos humanos acerca da existência, somos impelidos a compreensão de que a fé é a resposta, ela faz história e se dá na existência humana, sabemos e nossa profunda origem que há alguém no concreto que nos chama. Fora abordado também o cuidado de Deus, quanto a Pedagogia divina por meio da qual, Ele prepara o homem gradualmente, de um Deus que se revela na história através de eventos e palavras, a fim de considerarmos o contexto em que a palavra de e Deus foi escrita, elaborada para não a interpretar de forma superficial, pois como bem frisou Irmã Salete, dela emanam luzes, quando bem interpretada.  

O salmo 8, foi bem exposto por ela, e por meio dele foi possível sintetizar algumas das questões que já haviam sido pautadas na formação, levou os participantes a mergulharem na palavra de forma profunda e a questionarem-se com a seguinte pergunta, “Senhor o que somos nós, para de nós Vos lembrardes?” Pergunta formulada em diferentes lugares, por diferentes pessoas. Pergunta de quem percebe sua pequenez, do pó do húmus sai uma criatura e se torna um ser imortal, pensante, que indaga sua própria natureza.

Acerca do tema debatido ela propôs uma atividade coletiva, realizando a leitura de parte de um poema e solicitando que cada desse continuidade a escrita do poema, foram dadas algumas contribuições e no encerramento da formação, a parte final (original) da poesia fora apresentada.

As mãos do oleiro modelam o barro por dentro e por fora, assim Deus nos molda por inteiros e não por partes, pois a pessoa humana não possui um corpo, é corpo, não possui alma, é alma. A Corporeidade nos une e integra a nós mesmos e a comunidade, o ser em comunhão com o seu todo te leva a comunhão com o outro. Visto que é só diante do outro que eu posso ser eu. Irmã Salete bem frisou isto, quando afirmou que Adão precisava de Eva, por isso fica contente quando está diante do outro, a solidão para a bíblia é a morte, o individualismo faz mal, mesmo que doa por vezes, é melhor estar com o outro (exceto quando esse estar configura-se em sofrimento desmoderado), cada pessoa precisa do outro e do cosmos, do universo, somos um todo integrado e indissociável conosco mesmos e com o outro, o eu pessoal é uma unidade corpóreo-espiritual.

Segundo ROBERTO ROCHETTA, “A vocação de todos é esta: entrar no próprio coração, curvar-se sobre si mesmo entrando no templo de consciência, abrir-se ao mundo para estender a mão ao próximo”. Parte do princípio de que, a partir da luz de Jesus se elucida a verdade do homem, que se configura no concreto e não no puramente abstrato. A condição corpórea é o lugar da salvação, é o lugar da história, uma história que o homem é chamado a transcender. O chamado é único, irrepetível e individual e pessoal.

Se o corpo for considerado a parte do espírito, serão gerados em uma materialidade, que idolatra o próprio corpo (narcisista) na qual o vazio se instala, pois o ser integrado compreender o amor infinito de Deus, o amor de Deus não é como o nosso, pois nosso amor é limitado e frágil. Por isso, Deus se revela a pessoas e comunidades imperfeitas, ele confia em suas criaturas, a nossa compreensão de Deus é atravessada pelo humano, colhemos sinais, entre perceber a presença de Dele, e acolher com a fé, que é a resposta ao chamado de Deus. “Dentro de cada pessoa há uma centelha do divino” (GS 3) que o desperta para a salvação.

Afirma ainda a mediadora da formação que, a própria experiência de fraqueza, como a de Jó pode levar a pessoa a refletir sobre sua existência, e que esta apresenta-se de forma a iluminar o caminho, como se o limite do ser lhe permitisse ser iluminada por uma luz que vem do mais profundo de seu ser e ao mesmo tempo de fora dele, independente. Trouxe a visão de que a liberdade te dá o poder de decidir e exige que deixe de lado as possibilidades, quando, porém, se decide seguir um caminho não se pensa tanto ao que se deixou, mas ao SIM, que te leva para frente. Ela nos traz ainda uma amplitude no olhar da pobreza inicial: nós fomos criados. Somos poeira. A nossa pobreza é tão grande que das criaturas todas somos as mais frágeis, as menos acabadas (METRS, J. B., a liberdade, 1967, p.195) e nos instigou a refletir sobre a liberdade, que é riqueza, mas também é luta. “A liberdade se torna resposta ao chamado que Deus dirige a humanidade em cada instante da vida” (LUIS LADARIA, Teologia da criação, p 30). Esta liberdade, encontra seu modelo na liberdade de Jesus que aprendeu a ser livre se entregando obedientemente a vontade do Pai. A liberdade sacrificada no amor.

E encerramos os dois dias de formação com a compreensão vital, necessária e esclarecedora de que, ‘O ser humano não se autocompreende’.

Claudiane Fernanda da Silva.

 
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