Onde a finalidade do carisma é reconhecida, a economia “se põe a serviço da profecia em um projeto concreto e eficaz”.

Durante os dias 16 e 17/05/2019 realizou-se o V Seminário de Formação Social Administrativo-Econômico para as Organizações Religiosas da CRB-Regional Curitiba, com a presença de religiosos(as), leigos e administradores de diversas cidades do Paraná e outros estados,  sendo ao todo 226 participantes. Sobre o Documento da Igreja: “Economia a Serviço do Carisma e da Missão” no salão de eventos da Paróquia Santo Antônio no Bairro Orleans em Curitiba-PR.
O assessor principal foi o Cardeal Dom João Braz de Avis, prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica. Foram também co-assessores que tinham como missão contextualizar o conteúdo do documento para a nossa realidade brasileira: Pe. Jair Batista de Souza – Teólogo (Provincial dos Padres Marianos da Imaculada Conceição – MIC); Ir. Edites Bet (Irmãs Franciscanas da Sagrada Família); Dr. Hugo Sarubbi Cysneiros (Advogado da Nunciatura, CNBB, CRB, ANEC...); Ir. Anette Giordani (Apóstolas do Sagrado Coração de Jesus); Fernando Luiz Mazur (Contador – Assessor de várias Congregações Religiosas); Pe. Valdinei de Jesus Ribeiro – (Canonista dos Padres Claretianos).
Com base no documento “Economia a Serviço do Carisma e da Missão, da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica” (Documento da Igreja, n. 48), o seminário foi muito inspirador, lembrando a cada consagrado(a) que o serviço administrativo nas nossas entidades sempre deve ter como centro Jesus Cristo e o seu projeto de vida.
A reflexão teológica enfatizou a dimensão vivencial, testemunhal da fé cristã como preponderante. A pobreza de Cristo como novidade do Evangelho (Encarnação, vida histórica de Jesus, Eucaristia, paixão-morte-ressurreição). Necessidade urgente de dar rostos à profecia cristã. Dom João enfatizou ainda a necessidade de se recuperar a dimensão formativa na Igreja; aprender viver a integração homem e mulher saudavelmente; desempenhar a autoridade como serviço; usar de profissionalidade e espírito evangélico na posse e uso dos bens; olhar a economia com o olhar de Jesus; Cristo é o centro de nossas vidas; por fim, testemunhar a economia como condivisão e comunhão.
Ao refletir sobre Carisma e Missão salientou-se o seguinte: Existe uma tensão natural em direção ao Reino futuro; Urge a necessidade de se fazer discernimento para não se tomar decisões precipitadas; O planejamento é uma estratégia fundamental; o carisma é significação eclesial e não pessoal; podemos mudar as obras, mas não o carisma; a fraternidade é nosso ponto de encontro; precisamos aplicar as relações fraternas dentro da economia; Todo patrimônio são bens eclesiais, pertencem à Igreja. 
Ao falar da Dimensão Econômica e Missão enfatizou-se a sustentabilidade das obras; responsabilidade, transparência e confiança na administração dos bens, priorizando as pessoas e não as obras.
Por fim, ao falar das indicações práticas do documento destacou-se a necessidade do uso da obediência dialogada, fidelidade ao carisma, clareza da missão, respeito na defesa dos bens eclesiásticos, sustentabilidade das obras, governo da economia, profissionalidade e espírito evangélico com trabalho de equipe e definir com clareza o papel do ecônomo  como aquele que executa orçamentos e se responsabiliza pela administração ordinária da vida institucional; Superior Maior e seu conselho assuma com clareza, responsabilidade e determinação o papel de direção institucional. Usar sempre o diálogo como instrumento mediador. Foram muitas outras reflexões esclarecedoras sobre Economia e Missão, bem como, algumas orientações práticas para o exercício do governo da economia. 
Para contextualizar a fala de Dom João Braz de Aviz, Dr. Hugo Sarubbi Cysneiros, nos fez perceber que estamos vivendo no mundo, com uma realidade que exige de nós a aplicação de regras “mandatárias”, isto é, nos obriga a obedecê-las. Mas provocou a todos(as), dizendo que, mesmo aplicando-as às nossas organizações, devemos sustentar e garantir sempre os princípios e os valores do carisma. Então, devemos buscar conhecimento e produzir conhecimento relacionado às organizações às quais pertencemos.
É bom lembrar que Jesus se encarnou na história e realizou sua missão a partir dela. Hoje nós estamos inseridos(as) na história e precisamos nos ajudar para encontrar soluções em favor dos mais pobres. Precisamos refazer o caminho de nosso carisma fundacional com as exigências atuais. Isso exige discernimento. Se perdermos o caminho do carisma, perdemos também a graça de vivê-lo e atualizá-lo. Onde a finalidade do carisma é reconhecida, a economia “se põe a serviço da profecia em um projeto concreto e eficaz”. É a economia com rosto humano.


ATENÇÂO: Referente ao material do seminário estará sendo disponibilizado em breve. Os videos que foram gravados também assim que estiverem disponíveis estaremos deixando para visualização neste mesmo site. 

 
 
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